Ser ativista num mundo que parece não querer atividade

Na sua definição original, o ativismo é definido como a ‘transformação da realidade por meio da ação prática; doutrina ou argumentação que prioriza a prática efetiva de transformação da realidade em oposição à atividade puramente teórica’. Mas o que é isto na prática? O que é ser ativista?

Normalmente não gosto de considerar que existe ativismo, mas sim ‘ativismos’. Existe um ativismo a que eu gosto de chamar ‘de escritório’, que é onde muita gente luta com a chamada ‘papelada’ para que esta se transforme em leis estabelecidas para um bem maior. Existe outro ativismo que considero o mais conhecido e o que mais se vê nas ruas, nas notícias e o que é mais vezes falado:  o ativismo ‘de rua’ que tantas vezes se demonstra em manifestações, marchas e outras ações públicas. O terceiro tipo de ativismo é o que menos se nota. É o que eu chamo ativismo ‘de atitude’. É aquele ativismo que se faz em pequenos momentos da vida diária, seja num café quando alguém está a ser descriminado, seja na rua quando alguém está a receber um piropo que nunca vai ser considerado um elogio ou seja a chamar a polícia quando repara que o vizinho está a ser vítima de violência doméstica. É o tipo silencioso de ativismo que muitas vezes considero que seja o mais importante.

Estamos fartos de saber que muito do que podemos fazer hoje só é possível por causa de ativistas, no entanto, infelizmente hoje em dia ser ativista continua a ser algo não muito positivo aos olhos da sociedade. ‘Nunca estão bem’, ‘não sei o que querem mais’, ‘só gostam de fazer barulho’, ‘já é um exagero’, etc… É isto que leio e ouço diariamente seja por parte daqueles comentadores profissionais e especializados em comentar notícias do JN só a ler o título da mesma, seja nas marchas ou manifestações a que vou.

Atualmente vivemos num mundo PERFEITO. As mulheres podem votar e podem candidatar-se à presidência da república (onde já se viu isto meu Deus). Os homossexuais já se podem casar e até adotar uma criança, coitada. Até os idosos já são consideradas pessoas. E os pretos até já podem vir trabalhar para cá. E se isto está tudo bem, se a lei portuguesa já defende todas as pessoas, QUE RAIO QUEREM MAIS OS ATIVISTAS? A resposta é simples, rápida e ao mesmo tempo tão complicada: RESPEITO. Porque apesar de lei proteger todos a sociedade não o faz. Os crimes de ódio contra os homossexuais continuam, as mulheres continuam a receber salários mais baixos que os homens e continuam a ser rebaixadas publicamente quando ocupam grandes cargos, os idosos continuam a ser abandonados e os negros continuam a sofrer de racismo quer seja no acesso a trabalho como muitas vezes em questões de segurança ou acesso a serviços. Pela lei estão protegidos, mas quem os protege da pior ameaça: a sociedade?

Respondendo à pergunta inicial, ser ativista é exigir o respeito sempre, até quando nada pelo qual lutamos nos afeta diretamente. Ser ativista é sentir os problemas dos outros e não se conformar que continuem a existir. Ser ativista é agarrar na vontade de um mundo melhor e nas bocas que ouvimos constantemente e lutar. Lutar sem nunca pedir nada. Sem nunca querer mais nada se não o respeito e a igualdade.

 

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