E depois da bonança?

Terminados os loucos meses das marchas pelos direitos LGBTIQA+ por Portugal e além fronteiras, é tempo de olhar para trás e tirar conclusões sobre o futuro: o que mudou este ano?

O propósito deve ser esse: “existimos e não temos medo de sair à rua”. Mas depois daquelas tardes em que tod@s são o que realmente sentem, onde fica essa luta interna, quando – ao voltarem a sair de casa – não houver arco-íris à sua volta que os protejam? Não há escolta policial nem tão pouco uma multidão que se defenda. Nesses dias, resta lidar com a sociedade, aquela que atira “mas a vós o que vos falta?”, quando vêem descer a marcha pelas avenidas, a mesma que no dia seguinte persegue, humilha, maltrata física e psicologicamente o cidadão não hétero, não cis: a esta sociedade podemos dizer que é isto o que falta – respeito.

E depois desta bonança, da celebração, da luta de rua, das palavras de ordem e das promessas políticas de quem se associou aos movimentos, o que vem a seguir? De novo uma tempestade de ódio? Ou pior: o silencio, como se tudo estivesse resolvido depois de uma pride parade. Não se deixem iludir pelos dias que passámos este ano. Ao fazê-lo, deixamos que se tratem homossexuais como sujeitos anómalos. Pés na terra, ainda há muito para transformar neste país. Nunca se cansem, nunca se calem.

Andreia Carvalho

Entretanto, deixo aqui uma parte de algo que li por estes dias: “Esse espalhafato do “orgulho gay” é, no meu entender, o melhor argumento a favor de que é de uma escolha, quiçá de uma moda, até às vezes, de uma conveniência que se trata. Um homem ou uma mulher estéreis não têm a mínima culpa de o serem, bem pelo contrário. Aceitam que sofrem uma anomalia, e todavia, não vêm para a rua fazer gáudio da sua condição.”

Deixar uma resposta